Blog do Wanderson Marçal


Fórmula 1: um circo de improficuidades.

 

  ( Eu não morri..) Um dia este que vos escreve foi um fã daquela que se diz ser a precípua categoria de automobilismo mundial.  Era eu um pequeno incauto – não que atualmente eu não o seja, e fui facilmente ludibriado por toda aquela tecnologia de ponta ( à qual chega apenas à parcela ínfima da população) e a pseudo-emoção de pilotos a defenderem suas pátrias (?) digladiando-se em pista.

 Com o tempo, um pouco mais maduro, com um arcabouço teórico mais sólido, percebi que a F1 não era somente uma competição esportiva ( se é que aquilo é esporte.. Mas o que é um esporte, afinal?) e sim, mais do que qualquer outra, uma propaganda capitalista. Uma publicidade que de tal modo acaba por demonstrar – quase que tacitamente – muitas das mazelas do sistema.

 É indubitável que mensurá-las em toda sua amplitude demandaria tempo e muito espaço, situações às quais o próprio sistema faz questão de limar, no entanto é factível dizer que algumas dessas nuances podem ser rapidamente explicitadas e facilmente apreendidas pelo leitor. Vamos a elas, ora pois:

 - a suposta possibilidade de todos vencerem.  Sabemos muito bem que na categoria somente aquele que está posicionado nas equipes detentoras dos melhores carros é que têm probabilidades reais de vencer, e isso, claro, se for o piloto número um do time. No capitalismo a situação não difere: quem nasce em condições subalternas, por mais que digam que o sistema pretensamente oferece a possibilidade de ascensão social, dificilmente galgará uma posição de destaque em áreas que realmente importam, quais sejam as de cunho intelectual.  Não obstante, a categoria, do mesmo modo que a ditadura capitalista, propala as grandiosas engenhocas engendradas por este sistema e as mostra como se fossem o pleno resultado de que a ditadura capitalista funciona. Prá quê eu quero um carro que chega a 400 quilômetro por hora se pessoas estão a morrer de fome? Qual a serventia de tanta parnafelhada tecnológica se a maioria das pessoas não tem acesso ao fundamental, ao peremptório, ao saber?

 E, para findar, já que estou cansado, cabe mais uma analogia, pois ainda há de mensurar o ser fundamental que media tanto as relações alienadas do público com a F1 quanto do povo com a política e, por conseguinte, as decisões do sistema: o jornalista. Este meliante, raramente dotado de conhecimento histórico e profícuo, costuma fazer análises factuais, precipitadas e utilitaristas. É este ser, para o povo, o responsável por “analisar o mundo”. E é esse elemento, imbuído de ranço positivista, o principal agente da perpetuação da alienação.

  Com isso, encerro esse breve manifesto contra o circo dos horrores do capitalismo fórmula-único. Por fim, cabe-me subscrever Rosa Luxemburg: “ O socialismo ou a barbárie”.

           



Escrito por Wanderson Marçal às 20h37
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