Blog do Wanderson Marçal


Aborto e adendos.

 ( Só no papel e na fala) A descriminalização do aborto tornou-se tema central na campanha eleitoral presidencial.  Igrejas e ditas sumidades eclesiásticas que as representam estão, a excetuar poucos, a fazer campanha contrária à candidata Dilma e, por conseguinte, favorável ao presidenciável Serra, a ser que este se tornou católico fervoroso nos últimos dias.

 É indubitável o caráter legal desse tipo de manifestação, que apesar de emanar de uma parcela de líderes religiosos e da patoleia que não fazem usufruto do ato de pensar, passa a ser legítimo a serem eles cidadãos e com direito a exporem seus pensamentos, mesmo que sejam absurdos, esquálidos e que tenham o mesmo valor de dejetos.

 O caráter ilegal da questão, no meu entendimento, é a forma tácita como a campanha do PSDB tem abordado a temática, a fazer alusão aos inumanos princípios cristãos, como bem nos lembra Nietzsche, a dar abertura, assim, para um domínio do poder escuso religioso sobre o até então tido laicismo do Estado.

 Tornar legal ou não o aborto não o fará desaparecer, muito pelo contrário, visto que há uma demanda, e com a criminalização presente na constituição, somente haverá a negação da oferta. O ato de não descriminalizar apenas fomentará o uso de subterfúgios médicos, como as clínicas clandestinas, e que delas decorrem muitos casos de abortos mal sucedidos.

 É uma questão de saúde pública e de inteligência, consinto. O que as pessoas dizem que “Deus” pretensamente pensaria sobre o tema, apesar de legítimo, pouco importa, pois o democrático para o Estado Neoliberal não é a efetivação dos anseios da maioria, mas a manutenção do direito à liberdade individual. Se não posso abortar porque outrem acha errado, logo tenho um impedimento ao exercício mais premente e mais “sagrado” que o Estado burguês me garante. Isso é um fato e que precisa ser considerado.

 O assunto, no entanto, não pode passar à margem do viés sensacionalista que toda campanha no Brasil abarca. É óbvio que o PSDB cristianizou-se face às necessidades eleitorais, mas isso é preocupante de todo o modo.  Não se pode dar um caráter teocêntrico a um plano político que tem como escopo gerir uma nação nos próximos anos. Isso é o tipo de ação lamentável, execrável e que representa, antes de tudo, um processo de involução histórica.  Destarte, resta-me clamar: sapientes, uni-vos, pois como dizia Roberto Campos, “a burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”.

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Escrito por Wanderson Marçal às 18h53
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 À labuta

( Fim de festa) Desde o último post tivemos muitos acontecimentos de alguma relevância: debate presidencial e a inclusão do tema do aborto, o GP do Japão de Fórmula 1 e a retirada dos mineiros chilenos soterrados.  Como é impossível abordá-los em toda sua complexidade em apenas um tópico, falarei, agora, dos dois últimos temas supracitados, a deixar a questão relativa à campanha dos presidenciáveis para outro tópico, no qual eu possa fazer uma análise reflexiva mais ampla.

 No que diz respeito à F1, tivemos mais um Grande Prêmio horrível. Treino chatinho e corrida medonha. É verdade que tivemos corridas muito boas no decorrer do ano, mas as últimas foram modorrentas. O que fazer, então? Não sei se escrevi anteriormente, mas não corroboro com a questão do fim do reabastecimento. Por mais que seja uma medida de segurança, a sua ausência tirou mais um aspecto entre os poucos de imprevisibilidade que fazem parte da categoria.

 Quanto ao campeonato, creio que Webber não mais perderá o título. Não tem vencido, mas em quase todos os GPs galgou o pódio. A meu ver, nem vencer será mais necessários. Se continuar a marcar pontos, de preferência a chegar entre os três primeiros, obterá o sonhado título mundial, pois seus concorrentes mais diretos, Vettel e Alonso, neste ano especificamente, estão a pecar pela inconsistência. E é difícil pensar que não mais errarão nas próximas corridas.

 O outro tema em voga é a retirada dos mineiros que há quase dois meses estão soterrados no Chile. Na verdade, ainda estão a içá-los, mas creio que o processo está próximo ao fim. O que posso dizer? Nada. É emocionante para os familiares e para aqueles que prezam pela vida humana, esteja ela diametralmente ligada ou não às improfícuas questões religiosas. E respeitar à vida, no meu humilde entendimento, é tratá-la, quando for preciso, com a devida complexidade. E não diminuí-la, como asseverado, a questões que transpassam a realidade.

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Escrito por Wanderson Marçal às 18h26
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