Rubinho é um homem feliz, realizado.
Neste texto serei o menos artificial possível, pois se o texto bem elaborado traz riqueza de informações, uma complexidade maior à notícia e que se faz necessário, pode incorrer em certo distanciamento do leitor, como dito, certa artificialidade, apenas não existente quando o escritor tem bagagem cultural extensa, fato que ainda não possuo.
Cheguei à conclusão de que é um momento perfeito para falar sobre o Rubinho, e contextualizá-lo no mundo em que vivemos.
Rubens Barrichello surgiu para o automobilismo mundial em momento delicado, em que o brasileiro necessitava de afirmação como nação, pois passávamos por sérios entraves econômicos e a auto-estima estava no mínimo em déficit, já que no futebol as conquistas da seleção eram cada vez mais raras.
Em 94 falece Ayrton Senna, aquele que representava o Brasil como sinônimo de vitória. Em seqüência a seleção brasileira de Futebol galga o título mundial, o povo fica em êxtase.
A Fórmula 1 não era mais o ópio, o futebol recuperava seu lugar, entretanto Rubinho e a Globo fomentaram uma idéia de que seria o sucessor do vitorioso Senna, o que não ocorreu, pois entre outras coisas o futuro piloto da Williams guiava uma crescente mais não suficientemente forte Jordan.
Os insucessos trouxeram um adjetivo ao paulistano: fracassado. Pois se não conseguia obter êxito, ou seja, vencer, era um fracasso, o modo positivista de avaliar.
Chega o período Ferrari, promessas de vitórias e títulos que obviamente não se concretizariam, e Barrichello volta a ser motivo de piadas.
O Brasil é pentacampeão mundial de futebol em 2002, a fórmula 1 deixa de ser uma paixão nacional, e o vôlei com seus êxitos toma seu lugar. Rubinho deixa de ser o candidato à ídolo e passa a ser mais um esportista brasileiro, mas ainda que passa pelo crivo de ser um fracasso.
Anos ruins na Honda, devido ao fraco carro, o levam ao quase esquecimento. Em 2009 surge com um carro rápido, promessas de título, e um limiar deficitário em relação ao companheiro, volta a ser Barrichello bastante contestado.
Após o metade do campeonato o piloto obtêm boas vitórias e uma pole position sensacional no Brasil, e ganha apoio da população em geral, que apesar de reclamar bastante dele e de seus infortúnios, torce muito mais do que, à exemplo, para Felipe Massa e qualquer outro piloto brasileiro que venha a surgir, exceto, claro, Bruno Senna.
Mas esse respeito de que passa a gozar Rubinho perante o público tem uma outra explicação: O homem está a se tornar mais humano, finalmente.
A imagem do vencedor, do sujeito perfeito, do perfil ideal, do consumo pelo consumo perde força. Barrichello não é campeão, e daí? – Indaga o torcedor.
O próprio Barrichello percebeu isso. Ele é casado com a mulher que ama, tem uma família espetacular, filhos exemplares, e faz o que de melhor sabe, e ainda o pagam para isso.
. Os indivíduos buscam cada vez mais a felicidade com a relação entre os humanos, e deixam de lado a individualização, fenômeno observado concomitante com as políticas neoliberais nos anos 90.
Juntamente a tudo isso, o esporte deixou de ser afirmação nacional. Se isto tornou-se pretexto para exposição dos regimes econômico-sociais durante a Guerra Fria, no atual momento é apenas um evento de entretenimento. Nada Mais. Nada mais que isso.
Ser ou não campeão é apenas um detalhe.
Barrichello é um indivíduo extremamente bem realizado. Tem total ciência disso. E os torcedores também.
Escrito por Wanderson Marçal às 20h46
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Nem tanto ao céu nem ao inferno.
Acabou o campeonato mundial de 2009 no novíssimo circuito de Abu Dhabi, no qual tivemos a confirmação do vice do Vettel, a ser que o campeão era o Button desde o último GP, o do Brasil, e a terceira posição no mundial de construtores para a Mclaren, e isso era o que de pouco tinha a ser disputado por lá.
O Mundial 2009 surgiu com a promessa de bastante competitividade, e inovações, tal qual o KERS. No Brasil deu-se com certa euforia, pois Barrichello parecia finalmente ter chances reais de ser campeão do mundo.
Do início esperançoso, com o surgimento de novas forças, ao final apático, para grande parte, com muitas das corridas sem ultrapassagens, acontecimentos, enfim, tudo aquilo que faz da F1 – e não automobilismo - o principal esporte mundial atualmente, a meu ver, claro. Ainda há aqueles que preferem futebol...
Para este que vos fala o campeonato deste ano não fora do mesmo nível em comparação com o do ano passado, contudo o de 2008 nós tínhamos duas forças que oscilavam a cada corrida, uma terceira equipe: a BMW, que dava trabalho à Ferrari e Mclaren e pilotos inconstantes na briga pelo título. E isso apesar de fazer o campeonato mais emocionante, ocorre raramente numa categoria como a F1.
Neste ano nós voltamos à essência da F1, ou seja, uma equipe sobrepujar as demais, e outra um pouco inferior, e como o primeiro piloto da equipe que reinou durante boa parte do campeonato tinha total predileção, o título ficou em suas mãos sem sustos.
Mas é essencial lembrá-los que foi o campeonato com várias equipes a brigarem por pontos, a depender do circuito uma obtinha vantagens, ou seja, tornou a categoria de certo modo imprevisível, o que faz na concepção o ano de 2009 muito superior aos campeonatos de 2001 a 2006.
Enfim, nem tanto ao céu, nem ao inferno, tivemos uma boa temporada, e com a quase certeza de que teremos uma grande equipe soberana em 2010, o campeonato desde ano poderá ser lembrado com saudades.
Escrito por Wanderson Marçal às 20h40
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