Blog do Wanderson Marçal


Fórmula 1: um circo de improficuidades.

 

  ( Eu não morri..) Um dia este que vos escreve foi um fã daquela que se diz ser a precípua categoria de automobilismo mundial.  Era eu um pequeno incauto – não que atualmente eu não o seja, e fui facilmente ludibriado por toda aquela tecnologia de ponta ( à qual chega apenas à parcela ínfima da população) e a pseudo-emoção de pilotos a defenderem suas pátrias (?) digladiando-se em pista.

 Com o tempo, um pouco mais maduro, com um arcabouço teórico mais sólido, percebi que a F1 não era somente uma competição esportiva ( se é que aquilo é esporte.. Mas o que é um esporte, afinal?) e sim, mais do que qualquer outra, uma propaganda capitalista. Uma publicidade que de tal modo acaba por demonstrar – quase que tacitamente – muitas das mazelas do sistema.

 É indubitável que mensurá-las em toda sua amplitude demandaria tempo e muito espaço, situações às quais o próprio sistema faz questão de limar, no entanto é factível dizer que algumas dessas nuances podem ser rapidamente explicitadas e facilmente apreendidas pelo leitor. Vamos a elas, ora pois:

 - a suposta possibilidade de todos vencerem.  Sabemos muito bem que na categoria somente aquele que está posicionado nas equipes detentoras dos melhores carros é que têm probabilidades reais de vencer, e isso, claro, se for o piloto número um do time. No capitalismo a situação não difere: quem nasce em condições subalternas, por mais que digam que o sistema pretensamente oferece a possibilidade de ascensão social, dificilmente galgará uma posição de destaque em áreas que realmente importam, quais sejam as de cunho intelectual.  Não obstante, a categoria, do mesmo modo que a ditadura capitalista, propala as grandiosas engenhocas engendradas por este sistema e as mostra como se fossem o pleno resultado de que a ditadura capitalista funciona. Prá quê eu quero um carro que chega a 400 quilômetro por hora se pessoas estão a morrer de fome? Qual a serventia de tanta parnafelhada tecnológica se a maioria das pessoas não tem acesso ao fundamental, ao peremptório, ao saber?

 E, para findar, já que estou cansado, cabe mais uma analogia, pois ainda há de mensurar o ser fundamental que media tanto as relações alienadas do público com a F1 quanto do povo com a política e, por conseguinte, as decisões do sistema: o jornalista. Este meliante, raramente dotado de conhecimento histórico e profícuo, costuma fazer análises factuais, precipitadas e utilitaristas. É este ser, para o povo, o responsável por “analisar o mundo”. E é esse elemento, imbuído de ranço positivista, o principal agente da perpetuação da alienação.

  Com isso, encerro esse breve manifesto contra o circo dos horrores do capitalismo fórmula-único. Por fim, cabe-me subscrever Rosa Luxemburg: “ O socialismo ou a barbárie”.

           



Escrito por Wanderson Marçal às 20h37
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Presente Natalino

Eis um maravilhoso texto de Mainardi sobre o Piquet, à época recém aposentado da F1. Sensacional. Um verdadeiro presente de Natal. Leiam.

 

Do Arquivo Veja
O Último dos boys
"Com a saída de Piquet da Fórmula 1, extingue-se a confraria da tala larga e do vidro-bolha"

"Vou enfrentar com serenidade esta minha saída da Fórmula 1", disse-me Nelson Piquet na quinta-feita passada. Para nós piquesistas, é a pior notícia possível. Afinal, quem se incomoda com a guerra iugoslava, a desagregação soviética e o infanticídio nas metrópoles brasileiras diante do fim da carreira automobilística de Nelson Piquet? Mas foi isso que aconteceu. Aos 39 anos de idade, depois de conquistar três campeonatos mundiais e 23 vitórias em grandes prêmios, ele foi considerado velho e caro demais por todas as escuderias de Fórmula 1 e acabou melancolicamente sem emprego para a próxima temporada. Cansado da Benetton, ignorado pela Ferrari, esnobado pela Williams, preterido pela Ligier, ninguém se dispôs a contratar este que, sem dúvida alguma, é o maior piloto de todos os tempos, o único a desafiar a monótona hegemonia da McLaren, equipe que facilitou os recentes tricampeonatos de Prost e de Senna e que na última década venceu até mesmo com corredores de segunda categoria como James Hunt e Niki Lauda, privado da orelha direita. Mas a vingança dos piquesistas será arrasadora.

  Para dar uma idéia dessa ligação sentimental de Piquet com o passado, basta lembrar que alguns anos atrás ele tentou construir uma réplica do Fusca envenenado que ganhou do pai ao ser aprovado no vestibular para Engenharia, "com segunda opção para Filosofia, a porta de entrada para a universidade". Quando a réplica finalmente ficou pronta, com um motor de 2 litros e mais de 100 cavalos de potência, deu umas voltas pelas avenidas de Brasília e teve uma das maiores decepções de sua vida. O problema é que ele havia se habituado à BMW turbo que possui em Monte Carlo. Confrontado com a BMW, o pobre Fusquinha branco foi obrigado a se conformar à condição de mero passatempo.

  Afastado das corridas de Fórmula 1, Piquet está agora se transformando em homem de negócios, envolvido em inúmeros investimentos imobiliários e comerciais, que a partir de agora deverão garantir seu futuro. Antes de mais nada, montou em Brasília uma moderníssima loja de pneus Pirelli, com equipamentos importados que balanceiam as rodas em sete segundos e atendem a vinte carros simultaneamente. A loja se chama Piquet Pneus. Mandou para lá boa parte de sua coleção de fotos e troféus e transformou a loja, conforme ele mesmo diz, em atração turística da cidade, com cerca de 400 visitantes por dia. O fato de uma borracharia se tornar atração turística só é hipnotizável num anecúmeno niemeyeriano como Brasília. Mas não é só isso. Depois de amistoso encontro com Collor, Piquet também conseguiu driblar uma lei corporativista que lhe impedia de montar uma revendedora Mercedes-Benz na cidade. Agora que os entraves burocráticos foram resolvidos, prevê que a revendedora poderá entrar em funcionamento dentro de um ano. Além disso, como ele quer continuar no mundo do automobilismo, acabou de criar a Piquet Racing, uma escuderia de Fórmula 3000, sediada na Inglatera, que tem um jovem francês como unico piloto.

  A manutenção de uma escuderia semelhante custa aproximadamente 1 milhão de dólares ao ano, mas Piquet não precisará desembolsar um tostão, pois a família do piloto francês já se comprometeu a bancar todas as despesas. Dessa forma, administrando o seu patrimônio com grande prudência, acreditamos que Piquet jamais terá dificuldades financeiras. Se isso por acaso se verificasse, não haveria problemas. Nós piquesistas nos comprometeríamos a trocar e alinhar os pneus em sua loja ao menos duas vezes por semana.

  O que de fato mudou para Piquet, mais do que as suas iniciativas empresariais, foi o dia-a-dia. Acostumado a saltar de um autódromo para o outro o ano inteiro, ele agora divide seu tempo em atividades ligeiramente diferentes. Na semana passada, por exemplo, depois de assistir a um torneio de motocross em Gênova organizado por sua empresa de promoções esportivas, ele foi à Suíça para discutir a respeito do motor que irá equipar a nova escuderia de Fórmula 3000. A seguir, após uma breve escala na Holanda, voltou para Monte Carlo, onde mora num esplêndido iate transatlântico de 125 pés, com cinco cabines duplas, duas salas e um heliporto no convés. Atualmente, convive com "uma menina belga" chamada Caterine, que fala um português fluente, sem sotaque. Com as duas ex-mulheres, uma brasileira e a outra holandesa, mantém ótimas relações. No total, são quatro filhos. O mais velho é piloto de kart, mas não poderemos contar com ele, pois aos 13 anos já tem 1,75 metro de altura. Vamos torcer para Lazlo, o caçula. Quem sabe ele puxa o pai, assim como Piquet puxou a mãe, dona Clotilde, uma divertida marceneira que constrói móveis e casas de bonecas. Algum tempo atrás, Piquet deu um motorhome de presente para a dona Clotilde. Agora, ao visitar as amigas em Brasília, ela costuma dormir estacionada em seus jardins. Quando Piquet chega de madrugada de viagem, ela leva o motor-home até o aeroporto e aguarda-o tranquilamente à beira da pista de pouso.

  Para compreender inteiramente a personalidade de Piquet, entretanto, não basta analisar a sua descendência. Mais importante do que isso é compará-lo a seu maior inimigo, o seu "professor Moriarty", o detestável Ayrton Senna. De temperamento celibatário e místico, cujo ápice foi o improvável encontro com Deus numa curva do Autódromo de Suzuka, Senna tenta passar a imagem de garoto-prodígio em missão divina e patriótica que está arriscando a vida para o nosso bem. Piquet é o oposto. As suas motivações são sempre individuais. Quando corria, era porque se divertia e ganhava bem. Se ele tinha um objetivo, este era simplesmente superar as dificuldades que encontrava diante de si. No início, como acontece com quase todo mundo, a falta de dinheiro era uma dificuldade. Por esse motivo, ainda em Brasília, nos intervalos entre os rachas com o Fusca envenenado, ele tentava se profissionalizar frequentando os cursos do Senai e Senac de datilografia, encadernação, vendas ao varejo, mecânica geral, afinação de motores, lanternagem e o que aparecesse pela frente. Foi esse seu temperamento empírico que lhe permitiu ser o mais inventivo de todos os pilotos contemporâneos de Fórmula 1, sendo o responsável pela introdução de diversas práticas que mais tarde se tornariam absolutamente corriqueiras, como o aquecimento de pneus, a dispensa do diferencial autoblocante em certos circuitos (o que é o diferencial autoblocante?) e o abastecimento de combustível durante a corrida. Do ponto de vista profissional, Piquet reconhece o talento automobilístico de Senna, "apesar de sua tendência a jogar os pilotos rivais para fora da pista". Quanto aos outros aspectos de Senna, ele "acha graça".

  Apesar das diferenças entre os nossos pilotos, existe uma curiosa coincidência fonética que os une e talvez merecesse ser aprofundada, isto é, o fato de que Emerson, Nelson e Ayrton, os três grandes campeões brasileiros do automobilismo, têm nomes terminados em "on", absolutamente extravagantes mas ao mesmo tempo genuinamente nacionais, inspirados no sobrenome de um escritor americano, de um almirante inglês e de um famoso eletrotécnico britânico. Será que alguém nunca determinada curva de Suzuka protege todos os Wellington, Wilson, Washington, Hilton, Wilton, Milton, Hamilton e Adilson nascidos neste país? Será que existe uma convincente explicação cabalística para esse fenômeno? Qualquer que seja a resposta para essas singelas considerações metafísicas, a única coisa que nós piquesistas podemos desejar é que o nosso ídolo jamais pare de correr, nem que seja em seu Fusca envenenado, nem que seja de autorama, nem que seja de patins.

(...)



Escrito por Wanderson Marçal às 09h23
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Escrito por Wanderson Marçal às 09h14
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Questão Tiririca

(Hão de pôr-se fim) O analfabeto Tiririca, eleito no pleito presidencial com a maior votação para Deputado Federal em todo o país, trouxe à tona uma contradição em nossa sociedade, visto que a constituição garante a todo e qualquer concidadão o direito à educação e à cidadania, porém retira quaisquer direitos eletivos de alguém que não seja letrado, a culpabilizar, se assim podemos dizer, o indivíduo que é analfabeto, quando, de fato, e a própria Constituição ratifica, é do Estado a obrigação de educar para o exercício do trabalho e cívico cada subjetivo.

  No entanto, e isso é peremptório que se mensure, alguém que não tenha capacidade cognitiva mínima quanto ao conhecimento formal não pode exercer qualquer labuta que requeira domínio da decodificação das letras. Em face à essa questão, há um embate na câmara dos Deputados se deve-se pôr fim ou não, por meio de PEC, à inelegibilidade dos analfabetos.

 Quanto a essa questão, não tenho uma opinião formada. Mas no que tange a erradicação do analfabetismo, minha posição é clara: tem de ser algo findado de forma premente. E além de se pôr fim à inconstitucionalidade supracitada que assola mais de 10% da população brasileira, é necessário fazer da nossa educação pública algo muito melhor do que é, para que somente assim tenhamos políticos de fato preparados, independentemente dos escolhidos para pretensamente nos representar.



Escrito por Wanderson Marçal às 20h30
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Campeonato fraco

(Houve melhores) A temporada de 2010 da F1 terminou no dia de ontem com o alemão Sebastian Vettel, que até então nunca havia liderado o mundial, como campeão de pilotos e sua equipe, a agora reconhecida oficialmente pela globo, a Red Bull, vencedora do mundial de construtores.  A meu ver foi a pior temporada dos últimos anos: corridas monótonas; domínio de uma única equipe, que em decorrência de seus inúmeros problemas não ratificou o título anteriormente; muitos erros por parte de todos os pilotos; e, para encerrar, uma pontuação esdrúxula que discrepa daquela tradicional da F1, à qual em anos anteriores possibilitou campeonatos muito mais disputados.

 Outro entrave às boas corridas foi a mudança de regulamento que impossibilita o reabastecimento: continua a mesma fila indiana na pista, sem ninguém tentar nada, e fora dela nada se pode fazer, com raras exceções, pois as estratégias são parônimas. Ontem, no entanto, a entrada do Safety Car modificou um pouco o panorama o qual vimos em todo o ano e possibilitou ao Sebastian a conquista do título. Se Schumacher não tivesse batido, teríamos visto uma das decisões mais chatas dos últimos dez, vinte anos. Ainda bem que assim não o foi.

 Quanto aos brasileiros, se salva a temporada de Barrichello, que conseguiu vencer o jovem e talentoso Hulkenberg. Dos demais nada de relevante pode se mensurar: Di Grassi e Senna correram em equipes horrorosas e se despediram da F1 sem o talento poder mostrar; e Massa, que está em seus dias derradeiros na Ferrari: ou faz um excelente campeonato em 2011, ou seu destino será a rua.

  É isso. Agora cabem aos senhores introduzirem suas pensatas acerca de tudo aquilo inerente à F1. Comentem!

Vettel campeão



Escrito por Wanderson Marçal às 10h34
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A recobrar

 

(Mais uma vez..) É, por mais uma vez afastei-me do blog sem avisá-los. Diz o bom senso que isso é falta de respeito para com seus leitores. Mais uma vez peço-lhes perdão. Nem estive assoberbado, mas questões outras me afastaram do blog. Nesses últimos dias, como era de se esperar, muitos fatos interessantes aconteceram, e como estive afastado não pude sequer comentá-los, o que incorre em outro grave erro. Como não tecer um único comentário acerca da vitória de Dilma Rousseff no pleito presidencial? E acerca da guerra cambial que se manifesta? E da corrida no Brasil? É.. Preciso estar mais presente ao blog, realmente, para que tais temáticas não passem incólumes à nossa avaliação. Para tanto pedir-lhes-ei paciência. Dentro em breve estarei com outro endereço blogueirístico, o qual nos propiciará muitas outras ferramentas e que aumentará a interatividade entre nós, para que minhas ausências não atrapalhem a socialização aqui ocorrida entre os migrantes do falecido tlog.

 É isso. Fiquem à vontade para comentarem sobre o que quiserem. Nos próximos dias, paulatinamente, alocarei alguns posts atinentes à temáticas históricas, e espero contar com vossos comentários. É indubitável que fortuitas explanações também ocorrerão à respeito da F1, mas, como nos últimos tempos, em menor quantidade.

 É isso. Continuem a visitar-me. O blog melhorará bastante assim que a mudança supracitada for implantada. Sem mais, abraços.



Escrito por Wanderson Marçal às 22h04
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Propostas profícuas expostas no debate:

(Qualquer semelhança é mera coincidência...)

 

 

 

 

 

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Escrito por Wanderson Marçal às 00h59
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Debate à calada da noite

(E falam da Globo...) A Rede Record de televisão realizará o penúltimo debate entre os presidenciáveis na noite de hoje, a ter início o evento às 23 horas. O que por si só é um absurdo e uma boçalidade, diga-se.  Debate, até pela impossibilidade de se abarcar as questões mais profícuas com a amplitude que cada uma merece em virtude das limitações de tempo, tem como público alvo aquele mais defasado educacionalmente. Ao iniciá-lo tão tarde, este público, que comprovadamente acorda mais cedo ( em corolário com as necessidades da labuta) e dorme mais cedo, também, provavelmente não o acompanhará, a termos ainda o agravante de que essa campanha presidencial, como propugnou Demétrio Magnoli, mais parece uma marcha fúnebre lenta, o que acaba por desmotivar mais ainda o eleitorado que foi historicamente alijado da produção do saber.

 E como é essa parcela da população que pode mudar os rumos do pleito, que até o devido momento caminha forte e quase irreversivelmente para uma vitória petista, o embate ficará ainda mais desinteressante e inócuo. 

  No entanto como não há muito que fazer por essas horas, cá estarei até o fim deste chato encontro. A esperar.



Escrito por Wanderson Marçal às 22h05
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Webber já é o campeão

(Acontece..) A corrida na Coréia do Sul foi muito movimentada. Acredito que se não tivéssemos o cenário chuvoso seria bastante monótona, pois as pistas do Tilke, por mais que tenham um desenho até divertido para quem nelas corre, não favorecem as ultrapassagens e, portanto, boas corridas.  Sobre o GP, não há muito que acrescentar. A vitória de Alonso o premia como o grande piloto da segunda metade do campeonato, mas não o coloca, mesmo agora a estar na liderança, como favorito ao título. Ao contrário, a primeira posição do espanhol contribui ainda mais para a consolidação de Webber, já que a RBR priorizá-lo-á em detrimento de Vettel, o grande empecilho do australiano rumo ao título.

 Nas duas próximas corridas, se levarmos em conta o retrospecto do ano passado, a vulga RBR deve vencer com facilidade e levar Webber a seu primeiro título mundial. Um grande feito, sem dúvida. Era um piloto que parecia no incipiente do ano que rumava forte e irreversivelmente para a aposentadoria, no entanto com sorte ( muita, diga-se) e competência está prestes a conquistar o mundo, como dizem os portugueses.

 Para encerrar, peço desculpas pelos dias que me ausentei. Fiquei doente e sem muita vontade de escrever, porém fá-lo-ei em profusão nesta semana, prometo-lhes. Ah, e também quero que me perdoem pelo tom agressivo do texto sobre aborto. Não condiz com a compostura de um postulante à Historiador. Vida que segue. Até.



Escrito por Wanderson Marçal às 13h58
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Aborto e adendos.

 ( Só no papel e na fala) A descriminalização do aborto tornou-se tema central na campanha eleitoral presidencial.  Igrejas e ditas sumidades eclesiásticas que as representam estão, a excetuar poucos, a fazer campanha contrária à candidata Dilma e, por conseguinte, favorável ao presidenciável Serra, a ser que este se tornou católico fervoroso nos últimos dias.

 É indubitável o caráter legal desse tipo de manifestação, que apesar de emanar de uma parcela de líderes religiosos e da patoleia que não fazem usufruto do ato de pensar, passa a ser legítimo a serem eles cidadãos e com direito a exporem seus pensamentos, mesmo que sejam absurdos, esquálidos e que tenham o mesmo valor de dejetos.

 O caráter ilegal da questão, no meu entendimento, é a forma tácita como a campanha do PSDB tem abordado a temática, a fazer alusão aos inumanos princípios cristãos, como bem nos lembra Nietzsche, a dar abertura, assim, para um domínio do poder escuso religioso sobre o até então tido laicismo do Estado.

 Tornar legal ou não o aborto não o fará desaparecer, muito pelo contrário, visto que há uma demanda, e com a criminalização presente na constituição, somente haverá a negação da oferta. O ato de não descriminalizar apenas fomentará o uso de subterfúgios médicos, como as clínicas clandestinas, e que delas decorrem muitos casos de abortos mal sucedidos.

 É uma questão de saúde pública e de inteligência, consinto. O que as pessoas dizem que “Deus” pretensamente pensaria sobre o tema, apesar de legítimo, pouco importa, pois o democrático para o Estado Neoliberal não é a efetivação dos anseios da maioria, mas a manutenção do direito à liberdade individual. Se não posso abortar porque outrem acha errado, logo tenho um impedimento ao exercício mais premente e mais “sagrado” que o Estado burguês me garante. Isso é um fato e que precisa ser considerado.

 O assunto, no entanto, não pode passar à margem do viés sensacionalista que toda campanha no Brasil abarca. É óbvio que o PSDB cristianizou-se face às necessidades eleitorais, mas isso é preocupante de todo o modo.  Não se pode dar um caráter teocêntrico a um plano político que tem como escopo gerir uma nação nos próximos anos. Isso é o tipo de ação lamentável, execrável e que representa, antes de tudo, um processo de involução histórica.  Destarte, resta-me clamar: sapientes, uni-vos, pois como dizia Roberto Campos, “a burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”.

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Escrito por Wanderson Marçal às 18h53
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 À labuta

( Fim de festa) Desde o último post tivemos muitos acontecimentos de alguma relevância: debate presidencial e a inclusão do tema do aborto, o GP do Japão de Fórmula 1 e a retirada dos mineiros chilenos soterrados.  Como é impossível abordá-los em toda sua complexidade em apenas um tópico, falarei, agora, dos dois últimos temas supracitados, a deixar a questão relativa à campanha dos presidenciáveis para outro tópico, no qual eu possa fazer uma análise reflexiva mais ampla.

 No que diz respeito à F1, tivemos mais um Grande Prêmio horrível. Treino chatinho e corrida medonha. É verdade que tivemos corridas muito boas no decorrer do ano, mas as últimas foram modorrentas. O que fazer, então? Não sei se escrevi anteriormente, mas não corroboro com a questão do fim do reabastecimento. Por mais que seja uma medida de segurança, a sua ausência tirou mais um aspecto entre os poucos de imprevisibilidade que fazem parte da categoria.

 Quanto ao campeonato, creio que Webber não mais perderá o título. Não tem vencido, mas em quase todos os GPs galgou o pódio. A meu ver, nem vencer será mais necessários. Se continuar a marcar pontos, de preferência a chegar entre os três primeiros, obterá o sonhado título mundial, pois seus concorrentes mais diretos, Vettel e Alonso, neste ano especificamente, estão a pecar pela inconsistência. E é difícil pensar que não mais errarão nas próximas corridas.

 O outro tema em voga é a retirada dos mineiros que há quase dois meses estão soterrados no Chile. Na verdade, ainda estão a içá-los, mas creio que o processo está próximo ao fim. O que posso dizer? Nada. É emocionante para os familiares e para aqueles que prezam pela vida humana, esteja ela diametralmente ligada ou não às improfícuas questões religiosas. E respeitar à vida, no meu humilde entendimento, é tratá-la, quando for preciso, com a devida complexidade. E não diminuí-la, como asseverado, a questões que transpassam a realidade.

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Escrito por Wanderson Marçal às 18h26
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Dilma será eleita presidente.

   (enferrujado) O pleito presidencial, que consoante pesquisas findaria domingo último, será decidido apenas em segundo turno. Mas se a expectativa do tucanato era que este fato ocorresse com o crescimento de seu candidato, e qual seja, José Serra, ela não se concretizou, pois o que vimos foi uma opção do eleitorado por uma terceira via, a Marina Silva, e não pelo candidato do PSDB.

 Destarte, posso propugnar que a vitória de Dilma é inevitável e, por conseguinte, indubitável. Em todas as eleições que foram para o segundo turno no Brasil, o candidato que venceu o primeiro ratificou o êxito no segundo em 88% dos casos, e nos 12% que a tendência anterior foi quebrada, o candidato que liderou o pleito inicial ou venceu por margem ínfima ou possuía um índice de rejeição altíssimo, o que não é o caso, pois tanto a petista quanto o tucano, consoante pesquisas, são vistos com desconfiança por número semelhantes de eleitores.

 Em miúdos, caminhamos forte e irreversivelmente para mais 8 anos (Sim, oito) de governo petista. Que para o escriba que vos escreve (Rá) é razoável, visto que o governo Lula se não pôs fim às políticas neoliberais, tornou-as secundárias e deu ao Estado burguês a característica que mais se aproxima daquele que os proletários desejam, e qual seja, a de motriz da economia e das demais políticas de interesse da população.

  Agora, proletários (unidos), comentem.

 

 



Escrito por Wanderson Marçal às 19h57
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Política de Mahmoud é legítima.

 

  (Veja é um lixo) Nossa imprensa, boçal e intrínseca ao pensamento imperialista estadunidense, propaga, e que é direito seu, diga-se, que Ahmadinejad é um tirano que anseia enriquecer urânio para fins bélicos e dar início a políticas genocidas em relação aos israelenses.

 Mahmoud asseverou muitas vezes que o enriquecimento de urânio tem fins pacíficos, e disse que tem como objetivo eliminar Israel do mapa. Para a imprensa, a primeira fala é falsa, e a segunda, verdadeira. Por que não o contrário? Por que o presidente iraniano não pode estar a falar a verdade quando propugna que não fomentará bombas atômicas e a mentir quando diz que deseja eliminar os israelenses do globo?

 Da segunda questão nada posso mensurar em parcas linhas, mas da primeira certamente posso e o farei a levar em conta o que ouvi hoje do notável mestre André Roberto Martin. Não obstante, para o Irã a política belicista, no momento, seria inviável, pois os EUA, através de sua política externa por vezes marota, mas eficaz, está a criar campo para atacá-lo, a alocá-lo no posto de inimigo à paz mundial. Seria, assim sendo, uma política suicida iraniana tentar produzir bombas atômicas, pois antes que o processo tivesse início, de fato, os Estados Unidos da América, país que investe mais de 700 bilhões de dólares no âmbito militar por ano e que hoje possui domínio bélico insular e também territorial que representa 60% de todo o globo, logo o atacaria e o venceria.

 No entanto o ataque ao Irã, principalmente via imprensa, por parte dos imperialistas estadunidenses decorre do medo que essa potência tem da formação de potências-continentais, a ser o Irã uma no oriente médio e o Brasil outra na América do Sul. E é nesse âmbito que age com correção a política externa brasileira, a ser que somos os únicos capazes de exportarmos urânio em larga escala frente a potências como EUA e Rússia, e que temos por grande interesse o surgimento, ou melhor, a afirmação de potências meridionais, a deixar o setentrional, o Hemisfério então chamado das grandes potências não mais hegemônico frente ao não mais hemisfério dos impotentes.

 



Escrito por Wanderson Marçal às 22h32
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F1, agora.

(Bloqueio mental) Nossa imprensa, em quase todos os âmbitos, é boçal. E a que cobre a F1 não é diferente. Quando o Hamilton, o Alonso, o Button ou o Webber ganham, são cognominados, respectivamente, de novo Senna,  Él fódon, novo Prost e de Mansell piorado. Quando perdem, são todos uns bostas. Não é assim que se avalia uma corrida de automóveis, muito menos uma temporada inteira. Imediatismo idiota, esse.

 Aos fatos. A vitória de Alonso, a meu ver, não representa que ele é, agora, o principal rival de Webber na luta pelo campeonato. O melhor carro é o da Red Bull, e é dela que deve sair o campeão. E o que os resultados demonstram, forte e irreversivelmente, é o australiano a rumar ao título. Mesmo em finais de semana de corrida nos quais ele fica apagado, consegue bons resultados, tal qual hoje.

 Apesar disso, a vitória do espanhol foi exuberante. Daquelas de pilotos acima da média. Não será campeão, mas tem cada vez mais cativo o lugar de primeiro piloto. Massa, seu escudeiro, que chegou em décimo, mas que acabou por lograr o oitavo posto em decorrência de punições póstumas ( à corrida) à Hulkenberg e Sutil por cortarem zebras, deve começar a pensar em seu futuro longe da Ferrari. Sua imagem está terrivelmente detraída perante os fãs da categoria, entre os quais nós, os brasileiros.  Uma boa saída para o Massa, a me ver, é a Renault. Se ele pensar em ser campeão, um dia, é o que de melhor ele pode galgar.

 O outro brasileiro, o Barrichello, fez uma corrida razoável e chegou em sexto. Hoje, sem os olhos cegos de um fã, vejo como Rubinho teve sorte ( e não azar) de ter guiado para a Ferrari: ocupou o lugar de segundo piloto, o que melhor lhe cabe. O brasileiro é um bom acertador de carros, mantém-se sempre na zona de pontuação, não comete erros bobos e, vez por outra, faz um corridão e vence. É o típico perfil de segundo piloto acima da média. Tanto o foi que obteve excelentes resultados, para um escudeiro, à época de Ferrari.

 Como primeiro piloto, o quarto melhor piloto brasileiro de todos os tempos teria problemas. A falta de constância é seu pior entrave. Como diz um amigo, se as corridas maravilhosas esporádicas de Barrichello fossem mais constantes, ele teria uns 4 títulos mundiais e já teria se aposentado.  Tomara que em 2011 ele me surpreenda nesse aspecto, assim como o Mark está a fazer este ano.

 É isso, comentem.

 

 

 



Escrito por Wanderson Marçal às 16h36
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Neoliberalismo é antidemocrático

 ( Fi-lo porque qui-lo) Para encerrarmos a trilogia sobre o neoliberalismo, cabe agora propalar as falácias que estão diametralmente ligadas ao discurso desta ideologia e suas contradições. Fá-lo-ei em subtítulos, para melhor entendimento. Leia atentamente:

   Seguir as tradições históricas.

 Para os pensadores neoliberais conservadores, a sociedade segue padrões morais e não deve questioná-los e muito menos ceifá-los, pois consoante Friedman “os valores da sociedade, sua cultura, suas convenções sociais, todos eles desenvolvem-se de idêntica maneira, através do intercâmbio voluntário, da cooperação espontânea, da evolução de uma estrutura complexa através de tentativas e erros, de aceitação e rejeição.”¹.

 Essa pensamento, que assenta o bestial lema “ que as coisas são assim porque assim é natural que sejam e sempre serão assim porque assim foram sempre”², propugna que a sociedade deve seguir um determinado caminho natural da história e que se faz necessário preservá-lo, pois mesmo que não seja possível entendê-lo em sua complexidade existencial, é necessário mantê-lo face ao direito à manutenção das tradições.

 Intervenções não-democráticas

 Quando numa determinada sociedade, seja por quaisquer motivos, essa pretensa predisposição natural da História é interrompida, cabe aos órgãos diretores da sociedade intervir. É neste âmbito que se justifica, para os neoliberais, a intervenção dos Regimes Ditatoriais Militares nas décadas de 60 e 70 na América meridional. Essa propensão natural para os teóricos desta corrente são, primordialmente, o direito à propriedade privada e ao direito de liberdade individual, que segundo eles podem ser suprimidos com um regime democrático que privilegie a maioria em detrimento da minoria.

 Sociedade da lei de mercado.

 O indivíduo, na sociedade neoliberal, é visto como um mero consumidor, e o Estado, ao mesmo tempo, deve apenas garantir a igualdade jurídica, já que para os neoliberais “não há nada que descanse sobre um fundamento mais débil que a afirmação da suposta igualdade de todos os que têm forma humana”³ . É a lei de mercado que deve prevalecer sob todos os segmentos sociais, algo que difere do pensamento liberal clássico, que em alguns teóricos via a possibilidade de o Estado promover a educação, a saúde e outros programas que não poderiam ser dissociados do direito à cidadania. No neoliberalismo, a ação do Estado deve resumir-se a evitar sua própria intervenção na economia.

Competitividade responsável por ordem social.

 Para estes, a lei de mercado e a competitividade estribada à ela formam a ordem social. Nessa sociedade, a ordem social é supostamente definida pela competência do indivíduo. É responsabilidade apenas dele seu êxito ou fracasso econômico e social.  E nesse aspecto, fundamentalmente, os neoliberais orgulham-se de serem diametralmente opostos aos projetos socialistas e keynesianos, que segundo eles, planificam a sociedade.

 Destruindo argumentos.

 É uma teoria que está imbuída num processo histórico-político econômico, portanto não cabem aqui julgamentos maniqueístas. Mas os argumentos acima postos podem ser facilmente questionados. O primeiro, por exemplo, da necessidade de se seguir as tradições históricas é extremamente contraditório. Essas tradições que eles mensuram, na verdade, são as desenvolvidas nos países de capitalismo central, e quais sejam, Europa e Estados Unidos. Não existe “rota natural na História”, pois se assim o fosse, todas as sociedades, em todos os tempos e lugares agiriam em conformidade e rumariam para o mesmo caminho. O que vimos na História foi o processo de imposição de uma cultura, a européia, sobre as demais.

 Se há uma falácia é a de que as sociedades neoliberais são democráticas. Elas não são. A própria supressão do Estado por a dita defesa do indivíduo é orquestrada no sentido de afastar de vez qualquer possibilidade de o povo impor sua vontade. Enquanto com o Estado o povo, por meio do sufrágio, pode se “fazer” representado, com o domínio da esfera financeira, apenas aqueles que possuem grande capital é que tomam pra si o poder.  É a completa alienação política da plebe.

  A terceira e a quarta questão podem ser discutidas juntamente. Para os teóricos dessa corrente que me propus a analisar, a prevalência da lei de mercado é uma forma plausível de se garantir possibilidades igualitárias de ascensão social. Cabe ao Estado não intervir, e deixar os individuos, equânimes, se digladiarem. O que de fato ocorre com a alocação em prática dessa política econômica sórdida pelo viés humano, é uma planificação social, exatamente aquilo a que os neoliberais dizem fazer oposição.

 No entanto, diferentemente do Estado benfeitor e do socialista, é uma planificação social elitista, pois os atores hegemônicos que detêm o poder nunca o perderão, fato visto e comprovado durante a forte crise econômica que assolou o mundo recentemente, na qual o Governo, por meio de ajuda financeira, os tirou do buraco no qual tinham entrado. E no âmbito individual, aqueles que possuem capital cultural e econômico, como bem define Bourdieu em sua teoria dos capitais, iniciam com vantagens abissais sobre aqueles que são vítimas da desigualdade social na disputa por melhores colocações no mercado de trabalho. Portanto, podemos concluir que a sociedade neoliberal é semi estamental, elitista, antidemocrática e preza pela manutenção do “Status Quo”.

 

 

1 – FRIEDMAN, Milton. Capitalismo e liberdade.

2 e 3 – Citações do livro: Modelo Neoliberal e Políticas Educacionais, BIANCHETTI, Roberto.

 



Escrito por Wanderson Marçal às 21h23
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